Mais café, após o café.

Já parou para pensar que qualquer paulistano do século XXI, nasce com uma herança genética de vício em cafeína, o qual vem sendo cultivado pelos pais de nossos pais, os quais deram a nossa magnífica cidade o título de “A cidade que nunca para”, e que só poderia ser completado “graças ao café”?

Que atire a primeira pedra, aquele que nunca recorreu a essa famosa bebida salvadora, especialmente, os universitários que trocam algumas horas de sono por um bom café! Ou melhor, não atire, pois eu era uma dessas pessoas até ontem.

Explico: Eu havia faltado ao meu trabalho durante a semana, por questões de saúde, um tanto quanto duvidosas. No entanto, aceitei, de bom grado, trabalhar no domingo, fazendo hora extra para fazer uma média com o meu chefe, o qual não estava muito feliz com a minha súbita gripe que me pegou, pouco antes do feriado prolongado.
Eu precisava chegar às 7 horas na empresa, sair de casa às 5 horas e acordar ás 4 horas para que, às 4 horas e 30 min., para que eu pudesse me arrumar, configurada minha lista de despertadores um pouco maior que o habitual, eu fui jogar com o meu amigo.

Quando resolvi parar, por insistência da minha mãe (cerca de 1h e 15min., da manhã), uma pergunta pairava sobre o olhar dela,o qual era dirigido a mim, de dúvida e pena: “Como ele vai trabalhar amanhã?”.
Desafiei corajosamente meus limites e acordei todo mundo na minha casa após 30 minutos de despertadores irritantes. Eu me sentia um zumbi figurante de “The Walking Dead”. Foi aí que minha mãe enxergou a oportunidade perfeita de perpetuar, por mais uma geração, os segredos da cafeína.

Ela acordou junto comigo, quase que simultaneamente, parte porque meus despertadores já tinham tirado o sono dela. E, em parte, por entender a minha falta de experiência e querer me ajudar. Tipo de coisa que só mesmo as nossas mães fazem.

Em alguns poucos minutos, a bebida, o dito cafezinho quente, já estava pronta. Então, ela me avisou que estava bem forte para me deixar mais acordado. Mas pela minha falta de experiência com a bebida, eu não fazia ideia do que isso significava e, esperando pelo pior, bebi tudo de uma vez.
Fui trabalhar muito disposto em encarar o dia, os problemas rotineiros com o transporte público em São Paulo, as pessoas ignorantes no trabalho, a fome, a vontade de voltar para casa e transporte novamente.
Notaram? Nada de sono!

Enquanto a bebida ainda fazia efeito, eu já sentia uma leve dor de cabeça, a qual, acredito, estava ligada ao pequeno e injusto tempo que meu cérebro teve de descanso.
A parte interessante nisso tudo é que, depois que o efeito do café passa, o nosso corpo e a mente acumulam o cansaço anterior, junto com as últimas horas extras, nos deixando ainda mais cansado do que antes. Daí, nos forçando a beber mais e mais café até que possamos, finalmente, descansar.
Mas eu sou jovem ainda e, portanto, vou desafiar mais uma vez os meus limites, me abstendo do café pelo resto do dia.

As minhas chances são baixas, mas eu sei que na pior das hipóteses minha cama estará em casa para me socorrer do mal do século, que ao contrário do que você deve estar pensando, não é o café, mas sim a tentativa de superar os limites humanos, nos privando daquilo que, de fato, é essencial, por aquilo que muitas vezes é supérfluo.

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